O que é o World Economic Forum?
O World Economic Forum é uma fundação internacional sem fins lucrativos que existe há mais de 50 anos com a missão de conectar líderes de diferentes áreas para enfrentar os desafios globais e avançar no estado do mundo.
1. DAVOS EM UM MUNDO EM RUPTURA
Todo início de ano, no frio dos Alpes Suíços, um encontro reúne algumas das pessoas mais influentes do planeta: líderes de governos, presidentes de grandes empresas, representantes de universidades, organizações da sociedade civil e pensadores globais. Esse evento é a Reunião Anual do World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial), popularmente conhecida como Davos, pela cidade onde acontece na Suíça.
O que é a Reunião Anual em Davos?
Trata-se de um encontro de aproximadamente 2.500 participantes — incluindo chefes de Estado, CEOs, acadêmicos, organizações sociais e formadores de opinião — que se reúne por cerca de cinco dias para debater os temas mais urgentes que afetam o planeta e as nossas vidas.
Por que esse encontro importa?
Embora nem todos possam assistir presencialmente, os debates de Davos tendem a influenciar políticas públicas, decisões de negócios, investimentos e a direção da cooperação internacional. Nos últimos anos, essa influência tem sido percebida de maneira mais direta em temas como comércio, tecnologia, clima, segurança e governança global — justamente porque estamos vivendo um momento de complexidade geopolítica nunca antes visto.
Como isso afeta você?
Mesmo que muitas discussões ocorram entre pessoas em posições de poder, suas consequências atingem todos nós — trabalhadores, consumidores, cidadãos e futuros empreendedores. Por isso, entender o que está em pauta em Davos não é apenas interesse intelectual: é uma forma de compreender os vetores que moldam o nosso futuro coletivo e individual.
Nesta edição de 2026, a agenda oficial do World Economic Forum em Davos está organizada em torno de grandes perguntas sobre o futuro que refletem justamente as tensões do nosso tempo: cooperação em um mundo contestado, novas fontes de crescimento, investimento nas pessoas, inovação responsável e prosperidade dentro dos limites planetários.
2. COP30 E DAVOS: DOIS ESPELHOS DO MESMO PLANETA
À primeira vista, a COP30, realizada em Belém, e o World Economic Forum em Davos parecem eventos muito diferentes.
Um fala de clima.
O outro fala de economia.
Mas, na prática, ambos lidam com a mesma pergunta central:
Como a humanidade vai sobreviver e prosperar num planeta que entrou em colapso ambiental, social e geopolítico?
A diferença está em quem fala, como fala e com que tipo de poder.
O que os dois têm em comum
Tanto a COP quanto Davos são espaços onde:
- O futuro do planeta é discutido
- A ciência, a política e o dinheiro se encontram
- Decisões que afetam bilhões de pessoas são moldadas
Ambos reúnem:
- Governos
- Empresas
- Organizações internacionais
- Sociedade civil
E ambos nascem de um reconhecimento duro:
o modelo de desenvolvimento atual está em crise.
A COP trata disso a partir do clima e dos limites planetários.
Davos trata disso a partir da economia, do crescimento e da estabilidade global.
São dois lados da mesma moeda.
Onde eles são profundamente diferentes
1️⃣ A COP fala dos limites do planeta
A COP existe porque:
- O clima está mudando
- As florestas estão desaparecendo
- A água está em risco
- A biodiversidade está colapsando
Ela é, por natureza, um fórum de alerta.
A pergunta implícita da COP é:
Como evitar que a Terra se torne inabitável?
2️⃣ Davos fala dos limites do sistema econômico
Davos existe porque:
- A globalização está em crise
- As cadeias produtivas estão fragmentadas
- A confiança entre países diminuiu
- A desigualdade e a instabilidade cresceram
A pergunta implícita de Davos é:
Como evitar que a economia global entre em colapso?
3️⃣ A COP é sobre responsabilidade coletiva
A lógica da COP é:
- Países precisam cooperar
- A ciência precisa ser respeitada
- O planeta impõe limites
- O futuro das próximas gerações importa
Ela opera no tempo longo.
4️⃣ Davos é sobre interesses em disputa
A lógica de Davos é:
- Empresas precisam crescer
- Países precisam se proteger
- Investidores precisam de retorno
- O curto prazo pressiona o longo
Ele opera no tempo curto e médio.
3. A GRANDE TENSÃO DO NOSSO TEMPO
E aqui surge a fratura do nosso tempo:
A COP diz que precisamos desacelerar, proteger e regenerar.
Davos é pressionado a encontrar crescimento, competitividade e poder.
Quando essas duas agendas caminham juntas, surgem soluções.
Quando entram em conflito, surgem os maiores riscos globais.
Por que essa comparação importa agora
O Brasil sediou a COP30 justamente para colocar o planeta no centro.
Davos 2026 acontece num mundo onde:
- A cooperação global está fragilizada
- A geopolítica voltou a dominar a economia
- O multilateralismo está sendo testado a cada dia
Ou seja:
o clima pede união,
o sistema político caminha para a fragmentação.
Essa é a tensão que atravessa os dois eventos.
E o que isso tem a ver com você?
Porque tanto a COP quanto Davos parecem distantes…
Mas os efeitos deles chegam no seu emprego, no seu bolso, na sua água, na sua comida e no seu futuro.
No fundo, ambos tratam da mesma escolha:
Vamos organizar o mundo em torno do medo, da competição e do curto prazo
ou em torno da cooperação, da ciência e do futuro comum?
E essa escolha não é só de governos ou CEOs.
Ela começa no indivíduo, no consumo, no voto, no trabalho, naquilo que aceitamos como “normal”.
4. OS CINCO TEMAS QUE DEFINEM DAVOS 2026
1. Cooperar em um mundo contestado
Este é o cerne do tema central do encontro: como encontrar caminhos de cooperação em um mundo onde as alianças tradicionais estão sendo testadas, a confiança entre países enfraquece e a competição geopolítica cresce.
Em um sistema global cada vez mais fragmentado, essa agenda questiona como governos, empresas e sociedade civil podem conversar e agir apesar de prioridades divergentes.
Muitos analistas observam que as barreiras ao comércio, às pessoas e ao capital cresceram, tornando mais difícil fazer negócios e colaborar internacionalmente, um reflexo de tensões que atravessam economia e política mundial.
2. Desbloquear novas fontes de crescimento
Davos não fala apenas de problemas, fala de oportunidades.
Neste item, a discussão gira em torno de como encontrar formas de crescimento que sejam mais resilientes e inclusivas, considerando tendências como tecnologia, inovação, mudanças demográficas e transição econômica.
A economia global vêm enfrentando dificuldades para crescer de maneira estável e harmoniosa em todas as regiões do mundo. Essa busca por “novas fontes de crescimento” reflete a necessidade de encontrar inovação que gere empregos, renda e impacto social positivo.
3. Investir nas pessoas
Esse tema coloca o foco no capital humano: educação, saúde, habilidades e bem-estar.
A ideia é que, sem um investimento real nas capacidades e no potencial das pessoas, qualquer proposta de crescimento econômico ou inovação tecnológica será superficial.
Mudanças rápidas no trabalho e nas tecnologias, como automação e inteligência artificial , exigem uma força de trabalho mais adaptável e qualificada. Investir nas pessoas é fundamental para que as sociedades não fiquem à margem dessas transformações.
4. Desdobrar a inovação de forma responsável
Este quarto tema toca um ponto crítico do nosso tempo: a tecnologia está transformando tudo da economia à vida cotidiana e precisamos lidar com seus riscos e oportunidades ao mesmo tempo.
Inovações como inteligência artificial, biotecnologia e digitalização têm potencial gigantesco, mas também levantam questões éticas, de segurança e de governança. Como garantir que essas ferramentas sejam usadas para o bem e não para ampliar desigualdades ou conflitos?
5. Construir prosperidade dentro dos limites planetários
Este tema ecoa diretamente a agenda da COP30: como conciliar prosperidade econômica com os limites físicos do planeta?
Aqui, Davos coloca no centro a necessidade de crescer sem extrapolar recursos naturais, sem destruir ecossistemas e sem agravar o desequilíbrio climático.
O planeta impõe limites e a economia global está receptiva a essa realidade. Esse tema faz a conexão essencial entre crescimento econômico e sustentabilidade: sem um planeta estável, qualquer riqueza será frágil.
O fio que une esses temas: um mundo à beira de decisões
Todos os cinco temas de Davos 2026 estão profundamente interligados:
- Cooperação depende de confiança e de interesse comum.
- Crescimento só se sustenta se for inclusivo.
- Investir nas pessoas é a base para resiliência frente às mudanças.
- Inovação responsável exige regras e ética.
- Prosperidade dentro dos limites planetários une economia e biologia do planeta.
Essa agenda revela um mundo em que as grandes questões não são mais isoladas, mas sistêmicas e interdependente
5. QUE ESSES TEMAS REVELAM SOBRE A GEOPOLÍTICA REAL
Os cinco temas centrais da programação oficial da Reunião Anual do World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial) 2026 em Davos não são apenas tópicos isolados: eles sintetizam as pressões políticas, econômicas, sociais e ambientais que o mundo enfrenta agora. A seguir, cada tema é ligado a uma tensão concreta do cenário global sem nomear líderes específicos, mas explorando escolhas de políticas, interesses e riscos que moldam o futuro coletivo.
1. Cooperar em um mundo contestado
Esse tema reflete uma realidade objetiva: a cooperação global encontra-se sob forte tensão.
Relatórios recentes indicam que a cooperação entre países está enfrentando ventos contrários, com instituições multilaterais sob pressão e desafios crescentes à confiança entre nações.
🔹 Tensão geopolítica atual:
Com relações internacionais fragmentadas — em especial na economia, comércio e investimentos — a capacidade de ações coletivas robustas está mais frágil. Isso só aumenta o risco de rivalidades que dificultam respostas eficazes a desafios que não conhecem fronteiras, como crises financeiras, tecnologia e clima.
🔹 Ligação com a COP30:
A própria COP30 reforçou a necessidade de cooperação multilateral para enfrentar o aquecimento global, apesar das divisões políticas entre países.
A velha pergunta do mundo globalizado — “Podemos agir juntos quando nossos interesses divergem?” — é hoje mais relevante do que nunca.
2. Desbloquear novas fontes de crescimento
Davos coloca esse tema como uma resposta à frustração com o crescimento lento e desigual em muitas economias, incluindo mercados emergentes e desenvolvidos.
🔹 Tensão geopolítica atual:
O modelo econômico global enfrenta estagnação em vários setores, pressão por novas tecnologias e a necessidade de reinventar cadeias produtivas que foram moldadas na era pré-digital e pré-crise climática.
🔹 Conexão com clima e transição energética:
Na COP30, muitos debates também tocaram crescimento, mas a partir de um prisma distinto: crescimento resiliente ligado à sustentabilidade, florestas, adaptação e energia limpa — inclusive como novos empregos e investimentos podem surgir de soluções climáticas.
Não se trata apenas de crescer mais, mas de crescer melhor — com inclusão social, tecnologia emergente e sustentabilidade na base.
3. Investir nas pessoas
Investir em capital humano — em educação, habilidade profissional, saúde e bem-estar — é uma resposta direta às transformações profundas no mercado de trabalho e nas expectativas sociais.
🔹 Tensão geopolítica atual:
Com automação, inteligência artificial e mudanças demográficas moldando o futuro do trabalho, países e empresas lutam para manter sua força de trabalho relevante e resiliente.
🔹 Diálogo com COP30:
Da perspectiva do clima, a COP30 reiterou a importância de incluir pessoas e comunidades nas decisões e soluções climáticas — tanto em adaptação quanto em mitigação — porque as mudanças mais profundas impactam sociedades inteiras.
Crescimento econômico, resiliência social e justiça climática estão cada vez mais conectados: investir em pessoas é investir na estabilidade futura.
4. Desdobrar a inovação de forma responsável
A inovação está no centro das decisões que moldam o século XXI — de biotecnologia à inteligência artificial — e traz tanto oportunidades quanto riscos éticos, de segurança e de governança.
🔹 Tensão geopolítica atual:
Tecnologias emergentes alteram relações de poder — pressionando governantes, empresas e sociedades a equilibrar inovação com proteção de direitos, privacidade e segurança.
🔹 Conexão com a COP30:
Ainda que a COP30 seja um fórum climático, discussões paralelas evidenciaram como tecnologia pode ser parte da solução — desde inteligência artificial para adaptação climática até bioeconomia sustentável.
Como sociedade, a única opção viável é promover a inovação com critérios claros de responsabilidade, impacto social positivo e alinhamento com valores humanos — não apenas lucro ou poder.
5. Construir prosperidade dentro dos limites planetários
Esse tema traduz uma ideia que já está no centro das negociações climáticas: o planeta possui limites biofísicos. Crescimento que ignore esse fato produz apenas crises maiores.
🔹 Tensão geopolítica atual:
Economias continuam negociando interesses conflitantes entre crescimento, energia, alimentos e proteção ambiental — um desafio que tem impacto direto em padrões de consumo e investimentos.
🔹 Conexão com a COP30:
Na COP30, um dos focos foi exatamente como conciliar desenvolvimento e limites planetários, especialmente por meio da expansão de energias limpas, adaptação climática e mecanismos de financiamento verde.
Ao mesmo tempo em que a COP30 pede ação climática urgente, Davos 2026 está requisitando uma reflexão sobre o papel da economia dentro dos limites da biosfera — uma convergência rara entre agendas que historicamente foram separadas por silos institucionais.
O fio condutor entre os cinco temas e o cenário global
Esses cinco tópicos revelam um mundo em que:
✔ as fronteiras entre economia, sociedade e natureza estão se dissolvendo;
✔ as respostas tecnológicas e econômicas não podem ignorar os limites ambientais;
✔ as decisões geopolíticas têm impacto direto na vida das pessoas;
✔ cooperação global se torna mais difícil — e mais necessária — do que nunca.
O mundo que Davos debate e o mundo que a COP30 desenha não são concorrentes, mas reflexos complementares de uma realidade que exige respostas integradas.
6. OS RISCOS QUE NINGUÉM GOSTA DE NOMEAR
A agenda oficial do World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial) para Davos 2026 é clara: cooperação em um mundo contestado, crescimento sustentável, investimento em pessoas, inovação responsável e prosperidade dentro dos limites planetários. Mas essas metas se chocam com pressões e riscos reais que atravessam o cenário global atual. Esses riscos não são abstratos — eles já moldam decisões de governos, empresas e investidores, e impactam diretamente nossas vidas. Eles emergem tanto da dinâmica econômica quanto da fratura entre cooperação e competição.
A seguir, estão os principais riscos com maior probabilidade de moldar os próximos anos, com base em análises de tendências globais e riscos sistêmicos identificados por organizações multilaterais e grupos de análise internacional.
1. Fragmentação geopolítica e a erosão da cooperação global
A promessa de Davos de “cooperação em um mundo contestado” já parte de uma realidade tensa: muitos países estão reconfigurando alianças e prioridades em função de interesses nacionais, competição econômica e desafios estratégicos, o que fragiliza instituições multilaterais e mecanismos de governança global. Isso influencia tudo, desde comércio até ciência e padrões regulatórios.
Quando a cooperação se fragmenta, respostas coordenadas a crises globais — como a mudança climática, pandemias ou crises financeiras — ficam mais lentas e menos eficazes.
2. Tecnologia sem governança ética compartilhada
Inovação — especialmente em inteligência artificial, biotecnologia e dados — é vista como motor de crescimento. Mas, sem marcos regulatórios comuns e princípios éticos fortes, essa mesma tecnologia pode aumentar desigualdades, ameaçar privacidade ou ser usada para fins geopolíticos problemáticos.
Sem consenso global e estruturas robustas de governança, tecnologias poderosas podem se tornar instrumentos de fragmentação e risco, em vez de instrumentos de benefício compartilhado.
3. Choques econômicos decorrentes de tensões estratégicas
A busca por “novas fontes de crescimento” reflete um contexto em que economias estão pressionadas — crescimento lento, alta dívida, custos energéticos e tensões comerciais. Com isso, políticas econômicas podem ser cada vez mais impulsivas ou protecionistas, gerando volatilidade e choques de mercado.
Crises econômicas e financeiras tendem a aprofundar desigualdades e reduzir o espaço de ação para políticas públicas de longo prazo.
4. Erosão da confiança social e polarização interna
Temas como desigualdade, desemprego e acesso a serviços sociais foram enfatizados tanto em Davos quanto na COP30. Isso ocorre porque a confiança social dentro dos países está em declínio, muitas vezes acompanhada pela polarização política e retórica de conflito.
Quando instituições perdem legitimidade perante a população, a capacidade de implementar políticas públicas eficazes também diminui — especialmente em áreas como educação, saúde e clima.
5. Colapso ambiental impactando economia e sociedade
A COP30 reiterou o fato de que o clima e os sistemas naturais estão sob pressão histórica — e que isso afeta diretamente produção de alimentos, infraestrutura, recursos hídricos e padrões de vida.
Eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e insegurança hídrica já estão impactando economias regionais e cadeias produtivas em vários continentes.
O fio comum: desafios que nenhum país ou empresa pode enfrentar sozinho
Os riscos acima não existem isoladamente. Eles são parte de um sistema complexo de interdependências:
- Fragmentação global agrava tensão econômica.
- Tensões econômicas alimentam polarização social.
- Polarização dificulta governança compartilhada de tecnologia e clima.
- Problemas ambientais amplificam desigualdades e vulnerabilidades.
Esse é o tipo de realidade que nem a COP30 nem Davos podem resolver sozinhos, mas ambos reconhecem — ainda que por linguagens diferentes — que a solução precisa ser integrada.
7. POR QUE ISSO TUDO CHEGA ATÉ VOCÊ
1. Informação é poder — mas reflexão é ação
Conhecer as tendências globais não é apenas saber fatos — é entender como eles afetam seu trabalho, sua empresa, sua família e sua comunidade.
🔹 Perguntas que cada um pode se fazer:
- Eu entendo como questões globais se refletem na minha vida?
- Estou pronto para questionar minhas certezas sobre economia, tecnologia e meio ambiente?
2. Consciência nas escolhas diáriasGrandes agendas globais são compostas por milhões de decisões pessoais:
✔ O que eu consumo?
✔ Onde eu invisto meu tempo e atenção?
✔ Como eu me relaciono com informação e comunidades?
✔ Em que causas sociais e ambientais eu participo?
3. Liderança pessoal e comunitária
Você não precisa estar em Davos para liderar mudanças.
Liderança acontece quando:
- Você dialoga com quem pensa diferente.
- Você promove soluções locais que têm impacto global.
- Quando você valoriza colaboração sobre confronto.
4. Pressão por governança ética e responsabilidade
Se tecnologias estão mudando o mundo, então precisamos de:
- Ética na ciência e no uso de dados;
- Transparência nas decisões corporativas;
- Responsabilidade social verdadeira.
Isso começa com perguntas públicas, votos conscientes e ações coletivas que ultrapassam a zona de conforto individual.
8. O PAPEL DO INDIVÍDUO EM UM MUNDO SISTÊMICO
(Consciência, escolhas, liderança pessoal e pressão ética)
Em um mundo onde decisões tomadas em salas de negociação globais impactam o clima, o preço dos alimentos, o emprego e a estabilidade social, é tentador pensar que o indivíduo é irrelevante. Que tudo está nas mãos de governos, corporações e fóruns internacionais como Davos ou a COP.
Mas essa é uma das maiores ilusões do nosso tempo.
Sistemas globais são formados por milhões de decisões individuais que, somadas, criam padrões econômicos, políticos e culturais. O mercado reage ao que compramos. As empresas respondem ao que aceitamos. Os governos seguem — ou resistem — àquilo que a sociedade normaliza. Em um mundo interconectado, cada escolha cotidiana é um pequeno voto sobre o tipo de futuro que estamos ajudando a construir.
A consciência é o primeiro passo. Significa entender que aquilo que acontece no planeta — das emissões de carbono às crises financeiras — não é algo distante, mas conectado ao nosso modo de viver, consumir, trabalhar e investir. Não se trata de saber tudo, mas de saber o suficiente para não agir no automático.
As escolhas vêm logo depois. O que consumimos, de quem compramos, que empresas apoiamos, como usamos tecnologia, que tipo de informação espalhamos — tudo isso influencia os sistemas. Nenhuma dessas decisões é neutra. Mesmo o silêncio é uma forma de escolha.
A liderança pessoal não exige cargo nem palco. Ela começa quando alguém decide agir de forma coerente com seus valores, mesmo quando isso é menos conveniente. Pode ser um gestor que decide priorizar pessoas e não apenas números. Um consumidor que escolhe não compactuar com práticas destrutivas. Um cidadão que questiona narrativas simplistas e busca compreender a complexidade.
E existe ainda a pressão ética — talvez a mais poderosa de todas. Organizações, marcas e governos mudam quando percebem que perderam legitimidade. Quando clientes, funcionários, investidores e eleitores deixam claro que certos comportamentos não são mais aceitáveis. A história mostra que grandes transformações raramente começam no topo. Elas começam quando uma massa crítica de indivíduos muda o que tolera.
Em um mundo sistêmico, onde tudo está interligado, a responsabilidade também é distribuída. Não somos culpados por tudo — mas somos responsáveis por algo. E esse algo, quando multiplicado por milhões de pessoas conscientes, é capaz de deslocar até os sistemas mais rígidos.
A pergunta, no fim, não é se uma pessoa pode mudar o mundo.
É: que tipo de mundo suas escolhas estão ajudando a manter em funcionamento?
9. UMA CHAMADA SILENCIOSA À AÇÃO
O mundo hoje não pede especialistas isolados — pede cidadãos conscientes, capazes de:
✔ compreender conexões sistêmicas entre economia, política, sociedade e natureza,
✔ agir com empatia e ética,
✔ se engajar em diálogos complexos e,
✔ exigir responsabilidade de instituições e governos.
Os eventos globais — seja a COP30 ou o WEF em Davos 2026 — são apenas um espelho do que está em jogo no planalto das decisões maiores.
Mas a mudança começa na base — na atitude de cada um de nós.
10.CONCLUSÃO — O FUTURO NÃO SERÁ DECIDIDO APENAS EM DAVOS
Davos não é um lugar.
A COP não é um evento.
Ambos são apenas espelhos ampliados de algo muito maior: o momento histórico em que a humanidade precisa decidir se continuará competindo até o colapso ou cooperando para sobreviver.
Em Davos, líderes debatem crescimento, tecnologia, geopolítica e estabilidade.
Na COP, cientistas e países alertam sobre limites, clima, água, florestas e vida.
Essas duas agendas não são opostas.
Elas são complementares — e também tensas.
O que está em jogo não é apenas o futuro das economias ou do clima.
É a qualidade da civilização que estamos construindo.
Mas aqui está a verdade que raramente aparece nos palcos oficiais:
O mundo não muda quando presidentes se reúnem.
O mundo muda quando milhões de pessoas mudam o que consideram aceitável.
Você não precisa estar em Davos para escolher:
- Se vai apoiar empresas que respeitam pessoas e o planeta
- Se vai exigir transparência de governos
- Se vai consumir de forma consciente
- Se vai educar seus filhos para cooperação, não para medo
- Se vai usar tecnologia para construir ou dividir
Em um mundo cada vez mais complexo, a única resposta viável é consciência individual em escala coletiva.
O futuro não será decidido apenas por quem fala nos grandes fóruns globais.
Ele será decidido por quem, silenciosamente, age todos os dias com ética, lucidez e coragem.
E isso inclui você.
REFERÊNCIAS
1. Davos em um mundo em ruptura
Referências principais:
🔗 World Economic Forum – Annual Meeting 2026 (página oficial do evento)
• https://www.weforum.org/meetings/world-economic-forum-annual-meeting-2026/ — Informações institucionais sobre Davos 2026, temas principais e contexto global.
🔗 World Economic Forum – Sobre o WEF
• https://www.weforum.org/ — Visão geral do Fórum Econômico Mundial, missão e estrutura.
🔗 Reuters – Davos 2026 começa em clima de desafios globais
• https://www.reuters.com/business/davos/world-economic-forum-survey-shows-doing-business-got-tougher-2025-2026-01-08/?utm_source=chatgpt.com — Contexto econômico e geopolítico global percebido antes de Davos.
2. COP30 e Davos: dois espelhos do mesmo planeta
Referências principais:
🔗 COP30 Brasil Amazônia – Página oficial da conferência
• https://cop30.br/en — Informações oficiais sobre a Cúpula do Clima de 2025 em Belém (COP30).
🔗 Carbon Brief – Resultados e acordos da COP30
• https://www.carbonbrief.org/cop30-key-outcomes-agreed-at-the-un-climate-talks-in-belem/ — Síntese jornalística detalhada dos principais resultados da COP30.
🔗 World Economic Forum – Artigos sobre clima e economia
• https://www.weforum.org/agenda/archive/climate-change/ — Coleção de artigos sobre clima e economia no contexto do Fórum.
3. A grande tensão do nosso tempo
Referências principais:
🔗 World Economic Forum – Relatórios de Riscos Globais (The Global Risks Report)
• https://www.weforum.org/reports/global-risks-report-2025/ — Análise anual dos maiores riscos globais (e a tensão sistêmica entre eles).
🔗 Infomoney – Análise sobre cooperação global
• https://www.infomoney.com.br/economia/forum-economico-mundial-cooperacao-global-mostra-resiliencia-diante-de-incertezas/ — Contexto de pressão sobre cooperação internacional.
🔗 Relatório de Perspectivas Econômicas Mundiais (FMI)
• https://www.imf.org/en/Publications/WEO — Documento de análise econômica global que apoia a compreensão de tensões macroeconômicas.
4. Os cinco temas que definem Davos 2026
Referências principais:
🔗 WEF – Davos 2026: “A Spirit of Dialogue”
• https://www.weforum.org/stories/2025/10/davos-2026-convenes-under-the-theme-a-spirit-of-dialogue/ — Detalhamento oficial dos cinco temas centrais da Reunião Anual 2026.
🔗 WEF Agenda – Temas relevantes
• https://www.weforum.org/agenda/ — Central de artigos do WEF que mapeia cada um dos temas em perspectiva global.
5. O que esses temas revelam sobre a geopolítica real
Referências principais:
🔗 Reuters – Business and geopolitics ahead of Davos
• https://www.reuters.com/business/davos/world-economic-forum-survey-shows-doing-business-got-tougher-2025-2026-01-08/ — Relaciona temas econômicos com tendências geopolíticas.
🔗 World Economic Forum – Global Cooperation Barometer
• https://www.weforum.org/reports/global-cooperation-barometer-2025/ — Indicadores e percepções de cooperação global em queda.
6. Os riscos que ninguém gosta de nomear
Referências principais:
🔗 Global Risks Report 2025 – WEF
• https://www.weforum.org/reports/global-risks-report-2025/ — O principal relatório global de risco que identifica tendências críticas em economia, tecnologia, ambiente e sociedade.
🔗 Carbon Brief – Riscos climáticos e limiares planetários
• https://www.carbonbrief.org/ — Fonte confiável sobre riscos climáticos globalmente que podem afetar economia e sociedade.
🔗 WEF – AI and Ethics Reports
• https://www.weforum.org/centre-for-the-fourth-industrial-revolution/ — Relatórios e perspectivas sobre tecnologia, IA e governança.
7. Por que isso tudo chega até você
Referências principais:
🔗 World Economic Forum – The Future of Jobs Report
• https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2025/ — Conexões entre tecnologia, mercado de trabalho e impacto no indivíduo.
🔗 UNDP Human Development Reports
• https://hdr.undp.org/ — Indicadores de desenvolvimento humano que ajudam a conectar macro tendência ao impacto local.
8. O papel do indivíduo em um mundo sistêmico
Referências principais:
🔗 WEF – Education and Skills Reports
• https://www.weforum.org/reports — Especialmente relatórios sobre futuro das habilidades.
🔗 United Nations – Sustainable Development Goals (ODS)
• https://sdgs.un.org/goals — A agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, referência global para atuação individual e coletiva.
9. Uma chamada silenciosa à ação
Referências principais:
🔗 UNEP – Emissões Gap Report
• https://www.unep.org/resources/emissions-gap-report-2025 — Mostra a urgência de ação climática global.
🔗 WEF – Actionable Pathways Reports
• https://www.weforum.org/reports — Relatórios com caminhos de ação em diversas áreas (economia, tecnologia, clima etc.).
🔗 COP30 – Outcomes and Future Priorities
• https://cop30.br/en — Compromissos e caminhos anunciados na COP30 que refletem demandas de ação.
10. Conclusão — O futuro não será decidido apenas em Davos
Referências complementares para reforçar o argumento final:
🔗 WEF – Stakeholder Capitalism Metrics
• https://www.weforum.org/stakeholder-capitalism — Indicadores que consolidam visão sistêmica de impacto social, ambiental e econômico.